20 de agosto de 2012

Ex-parceiro de Armstrong admitui que se dopava e gera maiores suspeitas sobre o caso do Heptacampeão do Tour...


O ex-ciclista e atual diretor esportivo da equipe Garmin, Jonathan Vaughters (fotos), admitiu na segunda-feira passada (13/08) que recorreu ao doping em sua carreira de atleta, e se lamentou por isso.

Em artigo publicado no jornal The New York Times, com o título "Como afastar o doping do esporte", Vaughters diz que escolheu mentir para não acabar com seu sonho de ser vitorioso no esporte.

"Eu sinto muito, lamento muito essa decisão, e a rejeito categoricamente", declarou o ex-ciclista, de 39 anos, que foi companheiro de equipe de Lance Armstrong na US Postal.

O ex-atleta revelou que seu sonho desde criança era competir no Tour de France, meta que perseguiu com esforço, disciplina, sofrimento e sacrifício, mas, quando conseguiu, se deu conta de que o sonho só estava completo em 98% e que faltavam 2%, que faz a diferença nas grandes competições.

Foi quando alguns treinadores, mentores e inclusive o chefe de equipe disseram que não conseguiria nada se não cometesse uma fraude e se dopasse.

"O doping poderia ser esses 2%", declarou Vaughters, que contou que o sentimento de culpa o levou a se aposentar das corridas em 2003 e a montar uma equipe profissional (Garmin), em que o uso do doping não é uma opção. Segundo ele, ocorrem rigorosos controles antidoping e predomina o ciclismo limpo para buscar as vitórias.

"A luta contra o doping é agora mil vezes melhor do que quando eu competia, e isso me dá uma grande satisfação. Mas esse esforço tem que ser aumentado", ponderou.



O ex-ciclista foi um dos cinco ex-companheiros de Armstrong que, de acordo com versões de parte da imprensa, denunciaram em julho do ano passado as supostas práticas de doping do heptacampeão do Tour de France.

Vaughters, George Hincapie, Levi Leipheimer, Christian Vande Velde e David Zabriskie chegaram a um acordo com a Agência Antidoping americana para denunciar o suposto doping de Lance Armstrong e os deles mesmos em troca da redução de suas penas de dois anos para seis meses de suspensão.

Os atletas suspensos haviam sido acusados pela agência de participar junto com Armstrong de um sistema de doping, de 1999 a 2005. No dia 29 de julho, a Agência Antidoping Americana apresentou formalmente acusações de doping contra o multicampeão.

O heptacampeão do Tour negou categoricamente ter se dopado, com o argumento que fez mais de 500 exames durante sua carreira e nunca testou positivo.

14 de agosto de 2012

Por que as coisas no Brasil são tão caras?



É tanta muamba que o português dos vendedores de shopping da Flórida está mais afiado do que nunca. Os brasileiros são os turistas que mais compram nos EUA: US$ 4,8 mil por pessoa, à frente dos japoneses.


Nossos gastos no exterior em 2010 tinham passado de US$ 11 bilhões até setembro, um recorde. Agências de turismo já oferecem pacotes sem parques de diversão no roteiro, só com traslados para grandes shoppings e outlets. 

Estamos virando um país de contrabandistas. Natural. Veja o caso do iPad. Aqui, nos EUA ou na Europa, ele é importado. Vem da China. Em tese, deveria custar quase igual em todos os países, já que o frete sempre dá mais ou menos a mesma coisa. Mas não. A versão básica custa R$ 800 nos EUA. Aqui a previsão é que ele saia por R$ 1 800. No resto do mundo desenvolvido é raro o iPad passar de R$ 1 000. E isso vale para qualquer coisa. Numa viagem aos EUA dá para comprar um notebook que aqui custa R$ 5 500 por R$ 2 300. Ou um videogame de R$ 500 que bate em R$ 2 mil nos supermercados daqui. E os carros, então? Um Corolla zero custa R$ 28 mil. Reais. Aqui, sai por mais de R$ 60 mil. E ele é tão nacional nos EUA quanto no Brasil. A Toyota fabrica o carro nos dois países. 

Por que tanta diferença? Primeiro, os impostos. Quase metade do valor de um carro (40%) vai para o governo na forma de tributos. Nos EUA são 20%. Na China também. Na Argentina, 24%. O padrão se repete com os outros produtos. E haja tributo. Enquanto o padrão global é ter um imposto específico para o consumo, aqui são 6 - IPI, ICMS, ISS, Cide, IOF, Cofins. Ufa. Essa confusão abre alas para uma sandice que outros países evitam: a cobrança de impostos em cascata. O ICMS, por exemplo, incide sobre o Cofins e o PIS. Ou seja: você paga imposto sobre imposto que já tinha sido pago lá atrás. Tudo fica mais caro. E quando você soma isso ao fato de que não, não somos um país rico, o vexame é maior ainda. Levando em conta o salário médio nas metrópoles e o preço das coisas, um sujeito de Nova York precisa trabalhar 9 horas para comprar um iPod Nano (R$ 256 lá). Nas maiores capitais do Brasil, um Nano vale 7 dias de trabalho do cidadão médio (R$ 549). 

A bagunça tributária do Brasil não é novidade. A diferença é que os efeitos dela ficam mais claros agora, já que existem mais produtos globalizados (Corolla, iPad...) e o real valorizado aumenta o nosso poder de compra lá fora (quando a nossa moeda não valia nada, antes de 1994, era como se vivêssemos em outra galáxia - não dava para fazer comparações).

Mas sozinho o imposto não explica tudo. Outra razão importante para a disparidade de preços é a busca por status. Mercado de luxo existe desde o Egito antigo. Mas no nosso caso virou aberração. Tênis e roupas de marcas populares lá fora são artigos finos nos shoppings daqui, já que a mesma calça que custa R$ 150 lá fora sai por R$ 600 no Brasil. O Smart é um carrinho de molecada na Europa, um popular. Aqui virou um Rolex motorizado - um jeito de mostrar que você tem R$ 60 mil sobrando. O irônico é que o preço alto vira uma razão para consumir a coisa. Às vezes, a única razão. Como realmente estamos ficando mais ricos (a renda per capita cresceu 20% acima da inflação nos últimos 10 anos), a demanda por produtos de preços irreais continua forte. Os lucros que o comércio tem com eles também. E as compras lá fora idem. 

O resultado mais sombrio disso é o que os economistas chamam de doença holandesa: o país enriquece vendendo matéria-prima e deixa de fabricar itens sofisticados - importa tudo (ou vai passar o feriado em Miami e volta carregado). Por isso mesmo o governo reclama da desvalorização excessiva do dólar e do euro, que deixa tudo ainda mais barato lá fora. Aí não há indústria que aguente. 

Mas tem um outro lado aí. "É interessante ver que parte da indústria importa bens intermediários, que são usados para fazer outros produtos. E agora eles serão mais baratos. Então o câmbio apreciado pode ser bom", diz o economista Carlos Eduardo Gonçalves, da USP. 

O governo também tem agido contra o mal do câmbio. Em agosto, cortou várias taxas de máquinas industriais e zerou os impostos para a fabricação de aviões. Outros 116 bens da indústria de autopeças que não têm similar nacional tiveram seu imposto de importação praticamente zerado. Já é um começo. Esperamos que, em breve, passar 9 horas no avião para comprar um laptop possa deixar de fazer sentido.

12 de agosto de 2012

Uma triste realidade nacional para revelar atletas


No Brasil, principalmente nos esportes individuais e de menor repercussão, infelizmente, nem mesmo  atletas que são reconhecidos mundialmente, conseguem apoio financeiro condizente com o nível de gastos que eles têm e tampouco com o nível ao que alcançaram no seu esporte. E todos exigem que o Brasil ganhe medalhas. Assim não dá!