5 de junho de 2014

Importância da leveza do atleta no ciclismo - parte 1

por Paulo Octávio Tassinari

Observando a dinâmica e os principais atletas do ciclismo, não é difícil perceber que o principal objetivo deles é o de manter a maior força muscular com o menor peso possível. Isso não inclui somente a sua força e peso corporal, mas a rigidez e peso da sua bicicleta também.
Afinal de contas, o peso no ciclismo se resume a física simples: quanto mais ou menos você pesa, mais ou menos energia será necessário para acelerar sua bike.
Mas qual relação de peso é a melhor para o máximo desempenho e como alcançar esse peso? Essa postagem terá como objetivo responder essa questão.

Primeiramente, qual é o peso ideal para a prática do ciclismo?

Começaremos vendo a média calculada relação entre massa e altura dos 12 últimos campeões mundiais para servir como referência ideal para se competir em alto nível. A tabela abaixo mostra uma média do peso por centímetro de altura para homens e mulheres campeões de estrada.

 Ano (2001-2012)
Média (Kg/cm) 


 Homens campeões do mundo

0,3839


 Mulheres campeãs do mundo

0,334



Dada a média, eu, Paulo Octávio, deveria pesar miúdos 71,5 Kg tendo eu 1,86m. Não é uma tarefa fácil, com certeza. Para você, leitor, saber qual seria seu peso ideal para ter um nível otimizado de performance na bike basta você multiplicar 0,3839 pela sua altura em centímetros.Temos ainda que lembrar do fator força, pois não adianta nada eu ser leve mas abrir mão de massa muscular que é capaz de gerar mais potência.

Então como maximizar essa relação Potência/Peso?

Quanto maior essa relação , mais rápido você será. Para tanto, é necessário um rolo de treino com medidor de gasto energético para calcular sua potência média, em watts e assim fazer as contas.
O aspecto mais importante dessa análise é a perda de gordura corporal sem comprometer a massa muscular magra e a força. No entanto, há limites para o quanto você pode ou deve perder gordura corporal também. Para os homens o mínimo considerado é 6% de gordura corporal e para as mulheres 14%. Os estudiosos da área dizem que abaixo dessas porcentagens pode haver prejuízo no ganho de potência e perda de massa muscular. Portanto, cuidado!



2 de junho de 2014

Mitos sobre o consumo de Termogênicos

Aliados do emagrecimento, amigos da dieta e queimadores de gordura são alguns dos termos mais usados em referência aos termogênicos.

Dotados da capacidade de aumentar o gasto energético durante a digestão, eles se tornaram febre entre os que desejam perder peso. Mas de acordo com a nutricionista Cátia Medeiros, da clínica Atual Nutrição, em São Paulo, nem tudo que se fala sobre os termogênicos é bem explicado, sugerindo, muitas vezes, que a simples ingestão garantiria alcançar o corpo tão desejado. Pimenta vermelha, canela, gengibre, café, abacaxi, chá verde e chá de hibisco são alguns dos exemplares mais famosos deste grupo. Para esclarecer como eles agem e quais os reais benefícios de seu consumo, listamos alguns dos principais mitos sobre os aclamados “alimentos que emagrecem”:

Mito1: Termogênicos são obtidos exclusivamente na alimentação
Existem dois tipos de termogênicos: os naturais e os industrializados. Segundo o nutrólogo Roberto Navarro, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), os naturais são aqueles que se apresentam da mesma forma como são encontrados na natureza, como é o caso do termogênico que obtemos comendo pimenta vermelha. “Os industrializados, por sua vez compreendem apenas o princípio ativo termogênico concentrado dentro de uma cápsula”, explica. 

Mito 2: Termogênicos eliminam a gordura corporal
“Termogênicos potencializam a termogênese, processo regulado pelo sistema nervoso que leva à transformação da glicose e da gordura em energia”, explica a nutricionista Cátia. Dizer que o simples consumo de alimentos e suplementos termogênicos levará à eliminação da gordura, portanto, não é verdade. Eles apenas aceleram o metabolismo aumentando o gasto calórico de processos que, naturalmente, já realizam essa queima.

Mito 3: Termogênicos levam à perda de peso, independente de alimentação e exercícios
De acordo com o nutrólogo Roberto, a ingestão isolada de termogênicos não levará à perda de peso significativa. “Se o indivíduo continuar ingerindo mais calorias do que consegue queimar, o ponteiro da balança até irá aumentar”, explica. Por isso, é fundamental incluir o termogênicos no dia a dia dentro de um contexto que conte com uma dieta balanceada e a prática regular de exercícios. Somente desta maneira, o gasto calórico será potencializado e favorecerá o emagrecimento.

Mito 4: O ideal é consumir termogênicos antes de dormir
“O mais recomendado é ingerir termogênicos no período diurno, durante uma refeição ou antes de praticar exercícios”, aponta o nutrólogo Roberto. Assim, o gasto calórico da digestão e da solicitação da força muscular será potencializado. Consumir termogênicos antes de dormir não é indicado, pois a otimização do processo de queima de calorias acelera o metabolismo e pode atrapalhar o repouso, causando insônia.

Mito 5: Termogênicos não têm qualquer contraindicação
Após receber o diagnóstico de hipertensão, uma das recomendações médicas em relação à alimentação é moderar no consumo de café. “Isso porque a bebida contém cafeína, termogênico que aumenta o metabolismo fazendo com que o coração trabalhe mais e a pressão arterial aumente”, explica o nutrólogo Roberto. Tais efeitos tornam a ingestão de termogênicos contraindicada para pessoas que sofrem de arritmia cardíaca, que têm histórico de infarto, entre outros problemas. Gestantes e crianças também devem limitar o consumo de alimentos termogênicos. Neste sentido, suplementos com ação termogênica se tornam ainda mais perigosos por oferecer os princípios ativos mais concentrados.

Mito 6: Não é necessária indicação médica para tomar suplementos termogênicos 
“Por ser contraindicado em alguns casos, o ideal é consultar um profissional antes de tomar suplementos termogênicos”, afirma a nutricionista Cátia. Muitas vezes, o paciente nem desconfia de qualquer problema de saúde e descobre que sofre de hipertensão ou arritmia em consultas como essa.

Mito 7: Não existem frutas com poder termogênico
Embora os alimentos mais citados quando o assunto é termogênico sejam a pimenta vermelha, o gengibre e o chá verde, eles também estão presentes em frutas. “A casca da laranja é rica em termogênicos, disponíveis para consumo em suplementos”, exemplifica o nutrólogo Roberto. O guaraná é outra fruta que também acelera o gasto calórico do corpo.

Mito 8: Quanto maior a ingestão de termogênicos, maior os benefícios

De acordo com a nutricionista Cátia, o ideal é consumir termogênicos diariamente, mas dentro de um limite estabelecido para que o aumento do metabolismo não se torne prejudicial. No caso do gengibre, ela recomenda uma fatia média ou uma colher de café da forma em pó. Quem prefere o abacaxi pode comer uma fatia após o almoço ou jantar ou então 200 ml de suco da fruta.

10 de abril de 2014

Ganhando velocidade mais rápído!

extraído e adaptado por Paulo Octávio

          Um dos segredos que foram descobertos para se ganhar velocidade com maior eficiência – maior aproveitamento da energia - e condicionar o corpo para tal ritmo no ciclismo se deu com Emil Zápotek. Na década de 50 descobriram que Zátopek treinava intercalando alta e baixa velocidade. Ele era corredor, mas a técnica é perfeitamente cabível ao ciclismo. A performance desse atleta surpreende até os dias atuais.
          A partir de então, o treino intervalado ganhou fama e passou a ser utilizado por outros corredores e ciclistas. Esse tipo de preparação quebrou o paradigma de que para alcançar um bom desempenho o ciclista deve ficar longos períodos em cima da bicicleta - o que só contribui para o ganho de resistência.
          A finalidade do treino intervalado é aumentar a tolerância do atleta em relação à intensidade do exercício, o que fará com que ele consiga alcançar maior velocidade no pedal.             Alguns estudos apontam que o treino intervalado ajuda a resistir aos efeitos do ácido lático”, diz Ricardo Hirsch, diretor técnico da assessoria esportiva Personal Life.Basicamente, o treino intervalado consiste em alternar estímulos de alta e baixa intensidade. Ou seja, o atleta realiza séries de tiros em alta velocidade (próximo ou acima do seu limiar anaeróbico), intercalados com intervalos de recuperação, que podem acontecer com descanso ativo, no qual se mantém o exercício em uma intensidade baixa, ou passivo, quando o exercício é interrompido. “O treino proporciona um tremendo ganho qualitativo. Mas para isso é necessário respeitar o ritmo do tiro e também do intervalo”, salienta Hirsch.O ideal, segundo ele, é que o treino intervalado seja feito alternado com os demais treinos específicos. “Ele é útil para uma finalidade, mas o ciclista não evolui apenas fazendo treinos intervalados”, observa o técnico da Personal Life, dizendo que há períodos específicos nos quais os treinos intervalados podem ter mais espaço na planilha, dependendo do alvo e da necessidade do atleta. No geral, recomenda-se uma ou duas vezes por semana.

Sugestão de treino intervalado:
  • AquecimentoDe 15’ a 20’ em ritmo leve.

Acelerações:
  • de 6 a 10 tiros de 15/20” em ritmo forte, intercalando com o mesmo tempo de descanso.

Principal
  • Tempo total entre 30’ e 45’, intercalando 1’30” ritmo forte / 1’30” ritmo bem leve

2 de abril de 2014

Para aumentar o rendimento nas subidas..

Adaptado por Paulo Octávio Tassinari
           
           Um dos maiores desafios para um ciclista de estrada é a conquista de uma montanha numa prova, sendo que quanto maiores a subida e a inclinação, mais prazerosa será a vitória. Mas se engana quem pensa que para se preparar para esse tipo de competição basta treinar somente subidas. É fato que elas precisam ser prioridade nos treinos, mas o que fará com que você conquiste um bom resultado é se preparar para encarar cada uma das situações de prova. Minutos preciosos podem ser ganhos no falso plano, nas subidas curtas e em outros terrenos durante o percurso. Para orientar essa preparação, conversamos com Emilio Sant’Anna, treinador e dirigente da Federação Espírito-Santense de Ciclismo.
           Falso Plano: em trechos de vento contra, nada de descansar ou ficar na roda do companheiro. Treinar uma cadência própria de contrarrelógio (90-100 rpm – rotações por minuto) vai lhe
ajuda-lo a manter uma boa velocidade e evitar perda de tempo na prova ao dar uma “suavizada” desnecessária.

           Subida Leve: ainda contra o vento, reduza a cadência (85-90 rpm), exigindo mais da força das pernas. Tente ao máximo manter o ritmo estabelecido no plano e se necessário coloque uma marcha mais leve para não deixar cair a cadência.Subida curta e íngreme. Faça o possível para manter o ritmo do plano, trocando rapidamente a marcha para uma mais leve assim que perceber a cadência caindo. Pedale em pé se preciso para não deixar que o ritmo caia muito. Por ser de curta extensão, você deve tentar transpor esse tipo de obstáculo o mais rápido possível. Nessas horas, é normal o batimento subir significativamente (acima de 80% da FMC), mas não se desgaste em excesso, pois após essas curtas subidas a velocidade do pelotão costuma aumentar.

           Sobe e desce: não seja econômico e enfrente com vigor as sequências de elevações, o que o ajudará a melhorar tanto a força na escalada quanto o rendimento no plano, uma vez que esse tipo de estímulo simula um treinamento intervalado sem a rotina do circuito. O aumento da frequência cardíaca também é normal em vista do esforço máximo sucessivo para vencer as elevações. O limite é a fadiga das pernas, o que pede uma recuperação de até 20 minutos com 60-70% da FCM antes de forçá-las novamente para reacelerar.
           Subidas médias: mantenha a atenção com relação à troca de marchas para manter a cadência e procure controlar a frequência cardíaca para resguardar sua condição física (tentando não ultrapassar 80% da FCM), poupando energia para a próxima escalada ou o trecho final. Quem treina sozinho pode praticar em trechos desse tipo monitorando o desempenho com o cronômetro. Para quem treina em grupo, estabelecer metas de montanha é uma forma de estimular o desempenho por meio de uma competição saudável.
          Subidas longas: é a mesma experiência do trecho anterior, porém sem intervalos. Tentar controlar a frequência cardíaca para evitar a fadiga é importante, mas é muito difícil conseguir fazer isso por conta da grande extensão, da impossibilidade de manter a cadência ideal e dos quilômetros acumulados nas pernas. Para adaptar o organismo a esse tipo de esforço, não há segredo, somente prática. Inclua grandes subidas em sua preparação e também procure mesclá-las com treinos de rodagem. Nesses trechos, a hidratação e a nutrição são ainda mais importantes — se realizadas de forma correta, ajudam a retardar a fadiga, diminuindo o tempo em que o corpo terá de trabalhar no limite.