20 de agosto de 2012

A descoberta da "irisina": o hormônio do exercício. Incrível!


Adaptado pela redação do blog

Hoje já estão contabilizados cerca de duzentos hormônios que circulam por dentro de nosso magnífico corpo. E agora, após duas décadas de pesquisa sem descobertas impactantes, apareceu este novo hormônio de grande valia para os atletas e para quem não pode fazer exercícios por limitação da saúde ou por tempo ou qualquer outro motivo.

Um estudo publicado na revista Nature, conduzido por pesquisadores da Dana Farber Cancer Institute e Harvard Medical School, esta última comandada pelo médico Bruce Spiegelman, mostra que o exercício físico estimula a produção de um hormônio que tem a capacidade de aumentar o gasto energético e consequentemente, a queima de gordura corporal, através da transformação da gordura "comum" em gordura "marrom". O novo hormônio, até então desconhecido, recebeu o nome de Irisina, em referência à deusa mensageira da mitologia grega, Íris.

Os pesquisadores acreditavam que células musculares se comunicam bioquimicamente com a gordura corporal, porém, não sabiam como, até que acompanharam de perto as operações de uma substância chamada PGC1-alpha, que é produzida em abundância pelos músculos durante e após os exercícios e responsável por muitos dos benefícios atribuídos a tal prática.
esquema de atuação da irisina


A PGC1-alpha estimula a expressão de uma proteína chamada Fndc5, que se quebra em duas partes, dando origem a Irisina.  Diferente da maioria das substâncias produzidas nos músculos, ela não permanece lá. Entra na corrente sanguínea e segue em direção ao Tecido Adiposo Branco (TAB) – responsável por armazenar energia –, que na sua presença transformam-se em gordura marrom (TAM). Os pesquisadores acreditam que a quantidade de exercícios (Irisina) é proporcional a quantidade de gordura marrom no organismo.

imagem de um tecido adiposo humano
A constatação de que Irisina pode contribuir para o escurecimento da gordura corporal é uma descoberta extraordinária, visto que a gordura marrom é fisiologicamente desejável e metabolicamente ativa, atuando na manutenção da temperatura corporal (termogênese) através da queima de calorias. Pensava-se que adultos não possuíam esse tipo de gordura, porém, estudos recentes mostram que temos um aporte de TAM que varia de pessoa para pessoa.

Ratos foram induzidos a produzir grandes quantidades da substância e mostraram-se resistentes à obesidade e diabetes, assim como muitas pessoas que praticam exercícios com regularidade. Curiosamente, o hormônio encontrado em ratos e humanos é exatamente o mesmo.

Enquanto a Irisina parece ter um grande impacto sobre o metabolismo, não parece desempenhar qualquer papel perceptível nos efeitos que o exercício tem no coração ou no cérebro. Várias questões permanecem sem solução. Apesar de todos os benefícios, os ratos perderam pouco peso, porém resistiram ao ganho – mesmo com uma dieta rica em gordura – e os níveis de açúcar no sangue se mantiveram estáveis (aqui está o porque do título dessa postagem).

Finalmente, foram realizados experimentos com células musculares de pessoas voluntárias, que haviam seguido á risca um programa de corrida no decorrer de uma semana. Foi notado um aumento dos níveis de Irisina, que é uma forte candidata ao desenvolvimento de novos tratamentos para diabetes, obesidade e outras doenças, como o câncer.

No futuro, os pesquisadores esperam testar as injeções de Irisina em pessoas que, devido a deficiências ou problemas de saúde, não podem praticar atividade física. Ele também quer descobrir qual a quantidade e o tipo de exercício capazes de levar ao aumento da substância em pessoas saudáveis.

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